terça-feira, 14 de outubro de 2014

Gravidade.

   Nunca sou de me queixar de nada, mas a vida pede que façamos isso. Nunca sou de me importar com os outros, mas os outros se importam comigo. Nunca fui de amar alguém, mas hoje me amam. Ainda não sei por quê me amam. Ainda não sei por quê não amo. Será que eu sou diferente? Será que sou de outro planeta? Mamãe diz que não sou, mas como saber se é verdade. Nunca fui de duvidar, mas minha mãe me pede isso. Nunca fui de dançar, mas às vezes a vida me faz dançar. E acabo quebrando a cara quando danço.
   Acho que é tudo culpa da gravidade. Ela nunca está a meu favor. Ela sempre me faz cair. Ela sempre me faz quebrar a cara quando danço. Ela sempre fez minhas lágrimas caírem no chão, e isso é uma droga. Esse texto pode até não ter muito sentido, mas faz todo o sentido pra mim. É como se minha vida fosse resumida nesse texto. Autotexto se chama? Ou Autobiotexto? Isso é muito estranho.
   É estranho como hoje eu estou amando. É estranho como hoje estou me importando com as pessoas. É estranho como hoje minhas lágrimas não caiam mais no chão. É estranho saber que minha mãe está sempre certa. É estranho saber que hoje vivo em gravidade zero.