Nunca sou de me queixar de nada, mas a vida pede que façamos isso. Nunca sou de me importar com os outros, mas os outros se importam comigo. Nunca fui de amar alguém, mas hoje me amam. Ainda não sei por quê me amam. Ainda não sei por quê não amo. Será que eu sou diferente? Será que sou de outro planeta? Mamãe diz que não sou, mas como saber se é verdade. Nunca fui de duvidar, mas minha mãe me pede isso. Nunca fui de dançar, mas às vezes a vida me faz dançar. E acabo quebrando a cara quando danço.
Acho que é tudo culpa da gravidade. Ela nunca está a meu favor. Ela sempre me faz cair. Ela sempre me faz quebrar a cara quando danço. Ela sempre fez minhas lágrimas caírem no chão, e isso é uma droga. Esse texto pode até não ter muito sentido, mas faz todo o sentido pra mim. É como se minha vida fosse resumida nesse texto. Autotexto se chama? Ou Autobiotexto? Isso é muito estranho.
É estranho como hoje eu estou amando. É estranho como hoje estou me importando com as pessoas. É estranho como hoje minhas lágrimas não caiam mais no chão. É estranho saber que minha mãe está sempre certa. É estranho saber que hoje vivo em gravidade zero.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Garoto Espacial
Estava nublado naquela noite, não havia nenhuma estrela brilhando, então os planetas estavam alinhados, quando eu vi os olhos dele, apenas um olhar foi necessário para enviar-me à outra galáxia.
Ele disse que estava indo para Marte, quando um cometa passou e o fez desviar de curso, fazendo-o assim cair na Terra, ele caiu nos meus braços como um cometa. Obrigada gravidade.
Nós assistimos à “Guerra nas Estrelas”, ele disse que era bem comum no lugar em que vivia, e isso causo-me uma grande curiosidade para saber qual galáxia ele chamava de lar, de que universo ele poderia ser. Vou esconder o ÓVNI dele, e ele nunca irá ter de saber. Não posso permitir que ele se vá, ele transforma meu mundo em um paraíso, é o meu garoto espacial.
- Luana Farias
NA TERRA DO CORAÇÃO
Nave,
ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota,
pedra, lata.
Passei
o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei
tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa.
Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor —
sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e
rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como
quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu
coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo
prometido capaz de transformá-lo em príncipe.
Meu
coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se
adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas,
imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo
invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um
jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta
nos dedos, o vento sopra.
Meu
coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.
Meu
coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda
onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu
Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming 1, o
Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro:
indecifrável.
Meu
coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o
número 3?) em que um Morrison colocou uma letra falando em morte,
desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e
piano.
Meu
coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se
ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões
tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os
sexos.
Meu
coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo
de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
Meu
coração é um entardecer deverão, numa cidadezinha à beira-mar. A
brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças nas janelas, rapazes
pela praça, tules violeta sobre os montes onde o sol se pôs.Alua
cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda
mais.
Meu
coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.
Meu
coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um
único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um
único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado.
Rouco, louco.
Meu
coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de
todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu
coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de
florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros
com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a
renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China.
No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath:
“I’m too purê for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala
de janelas fechadas.
Meu
coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria.
A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Meu
coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.
Meu
coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor
de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações,
pressentimentos,ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de
ouro.
Meu
coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando
sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir
tudo.
Meu
coração é uma planta carnívora morta de fome.
Meu
coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto,
cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de
mim!
Meu
coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado,
alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se
magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção
à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.
Faquir
involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato
de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha
afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína,
simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso — vasto, vivo: meu
coração teu.
O
Estado de S. Paulo, 10/2/1988
- Caio Fernando Abreu
O Mundo É Uma Droga, Vamos Ver A Lua.
Vivemos em um mundo onde as pessoas não conhecem o imagimundo*; um mundo onde as pessoas não se importam com os livros e com as outras pessoas. Vivemos neste mundo em que o mundo é dono do mundo e ninguém. Vamos ler, vamos viver.
Não sabemos para onde vamos nem de onde viemos, mas sabemos que ninguém se importa - realmente - com ninguém. Sabemos que o mundo está de cabeça para baixo, mas nós permanecemos com a cabeça lá em cima. Permanecemos com a cabeça nas nuvens, imaginando coisas que não fazem sentido. Consequências de viver no imagimundo.
Percebemos que a vida às vezes não faz sentido, porém estamos vivendo para aprender e aprendendo a viver. Não sabemos realmente o que o mundo quer de nós, mas vivemos na esperança de, um dia, sermos ricos. Sei que o mundo está de cabeça para baixo, mas o que importa? O mundo é uma droga e eu vou é ver a lua.
* Vocês saberão mais sobre o imagimundo nos próximos textos. | Johnny Levy |
* Vocês saberão mais sobre o imagimundo nos próximos textos. | Johnny Levy |
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
O Cheiro do Seu Perfume.
Enquanto o vento passa por mim, passa levando o seu cheiro embora. Mas não é um cheiro, apesar de termos terminado a poucos minutos, de coisas ruins. É o cheiro da lembrança. Um tipo de perfume que não se compra em qualquer loja, que nãos e fabrica em qualquer fábrica e que não se revende por qualquer pessoa. O cheiro da lembrança é como o cheiro da infância. Vai indo embora com o tempo, mas fica no coração.
Os carros que passam ao meu lado levam os resquícios de lágrimas que ainda restam em meu rosto, mas o seu perfume se espalha no ar. E eu simplesmente o inalo para que ele, nem você, saia do meu ser tão depressa. Não quero que um mero carro leve você de mim. Não quero que um simples vento te leve para longe. Só quero que permaneça em minha mente e em meu coração quando lembrar de quando comíamos sorvete de chocolate no sofá da sala.
As pessoas passam por mim carregando outras fragrâncias no pescoço, e eu lembro que a sua fragrância era a que eu mais gostava só por ser sua. Só amava estar mais ao seu lado quando o cheiro do seu perfume se entranhava em mim como uma criança se entranha no colo da mãe. Nossas conversas pela internet não tinham o mesmo gosto, ou melhor, o mesmo cheiro. Assim como nossos encontros.
De todas as coisas que ficaram em mim depois da sua partida não são cartas, nem frases, nem fotos... Foi o cheiro do seu perfume... Que está em mim como o amor que ainda sinto por você.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Alguns Infinitos São Maiores Que Outros.
Somos tão engraçados.
Amamos.
Chegamos a gostar de pessoas até parecidas.
Só queremos nossos corpos entrelaçados,
De mãos dadas andamos.
Demora-se para achar a pessoa amada;
Não é tão fácil quanto nos é demonstrado.
Enfim achamos, e vamos beber um pouco de estrelas.
Paralelepípedos na calçada.
"Agradeço por em meu mundo ter entrado.".
Amar é meio estranho.
Dependendo de quem você esteja amando.
Se for uma pessoa estranha, ambos serão.
Em seu colo me entranho.
"Estamos pelo mesmo caminho andando?".
O vento frio te abraça.
Não posso fazer nada, não é meu caminho.
"A vida é uma droga!"
Peço, peço, mas ele também não me abraça.
Você vai, deixando apenas um bilhete em meu ninho.
As estrelas não têm o mesmo gosto.
A vida não é mais a mesma.
Metáforas não têm mais sentido.
A vida não é mais a mesma.
Sem você para dizer: "Como é lindo seu rosto.".
Amamos.
Chegamos a gostar de pessoas até parecidas.
Só queremos nossos corpos entrelaçados,
De mãos dadas andamos.
Demora-se para achar a pessoa amada;
Não é tão fácil quanto nos é demonstrado.
Enfim achamos, e vamos beber um pouco de estrelas.
Paralelepípedos na calçada.
"Agradeço por em meu mundo ter entrado.".
Amar é meio estranho.
Dependendo de quem você esteja amando.
Se for uma pessoa estranha, ambos serão.
Em seu colo me entranho.
"Estamos pelo mesmo caminho andando?".
O vento frio te abraça.
Não posso fazer nada, não é meu caminho.
"A vida é uma droga!"
Peço, peço, mas ele também não me abraça.
Você vai, deixando apenas um bilhete em meu ninho.
As estrelas não têm o mesmo gosto.
A vida não é mais a mesma.
Metáforas não têm mais sentido.
A vida não é mais a mesma.
Sem você para dizer: "Como é lindo seu rosto.".
— Johnny Levy
Poema inspirado no livro A Culpa É Das Estrelas de John Green.
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